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Comércio Eletrônico

Em 2009, o comércio eletrônico, apesar da crise financeira mundial, apresentou grande movimentação. De acordo com o último levantamento realizado pela consultoria e-bit, só no ano passado houve um crescimento de 30% nas vendas pelo e-commerce, com a receita atingindo R$ 10,6 bilhões e o tíquete médio de R$ 335. O número de pessoas que compraram pelas lojas virtuais também evoluiu, totalizando 17,6 milhões, com um aumento de 33% em doze meses.

O índice demonstra que o consumidor brasileiro deixou para trás o receio de comprar pela internet.

Tanto é verdade que, nesse ano, todos os grandes players do varejo já se enquadraram nesse mercado, como é o caso do Carrefour, que investiu R$ 50 milhões em sua loja virtual brasileira.

No meio da pirâmide

Para o diretor geral da e-bit, Pedro Guasti, a totalização da entrada dos grandes players nesse setor intensifica ainda mais a concorrência, além de atrair novos perfis de clientes. “São pessoas que confiam nas grandes redes varejistas físicas e, com isso, começam a comprar pela internet”, diz. Essa crescente demanda também é reflexo da inclusão digital e do aumento da renda mensal das classes C e D no País (de até 60%), dados que impactam o comércio de eletroeletrônicos, como os computadores, formando uma roda viva que determina inclusive a compra de serviços de acesso à internet em alta velocidade. “Hoje, não basta essas pessoas terem um PC em suas casas, elas precisam e querem ter acesso à web”, avalia.

Com a alta de demanda, pequenos e médios comerciantes começam a desenvolver competência também no mundo virtual. Apesar da avalanche de investimentos dos grandes players para esse segmento, as PMEs tiveram, em 2009, um aumento de 1,62% no market share (cota de mercado), segundo o e-bit.

Outro estudo, realizado pela empresa de pagamentos online MoIP, registra um crescimento médio anual de 75% na atividade das pequenas e médias empresas no comércio eletrônico. O que levou Igor Senra, diretor da companhia, a concluir: “os grandes players estão perdendo espaço neste segmento”.

O conselho dele para essas empresas manterem a boa forma é utilizar estratégias mercadológicas com inteligência, além das ferramentas virtuais adequadas para angariar e manter clientes. Com o crescimento expressivo do mercado virtual, a disputa por clientes não está condicionada unicamente ao produto, mas sim a toda uma estrutura comercial, que se apóie o relacionamento empresa/cliente.

Segundo o diretor geral da ViajaNet, Alex Todres, loja virtual de pacotes turísticos e passagens aéreas pela internet, hoje a tecnologia é apenas commodity e muitos empresários se enganam ao pensar que para fazer bons negócios a sua empresa deve apresentar um site rodeado de efeitos tecnológicos. “Ao contrário, ele tem que fazer o negócio acontecer. Entender o que é melhor para o seu cliente”, alerta.

O MoIP alerta que as companhias do setor devem reconhecer a importância de política séria e compartilhada de gestão de riscos e comunicação, e não somente a preocupação em gerar tráfego. A empresa também recomenda que o site seja leve e navegável, para facilitar a vida do usuário.

Previsões

Para este ano, a e-bit prevê que, só no primeiro semestre, o e-commerce apresente uma movimentação de até R$ 6,1 bilhões, o que representará 45% do total de vendas dos 12 meses. Além disso, até o final de 2010, a expectativa para o mercado virtual é que ocorra uma evolução nominal de 30% em relação ao período anterior. Quanto à projeção monetária, no Brasil, esse setor pode terminar o ano com R$ 13,6 bilhões de faturamento em vendas de bens de consumo pela internet (excluindo a venda de passagens aéreas, automóveis e leilões virtuais).

No calendário comercial, as quatro datas mágicas do ano ainda não aconteceram: Dia das mães, Dia dos pais, Dia das crianças e, principalmente o Natal. Ou seja, ainda há tempo para as PMEs se preparem para satisfazer o consumidor.

E-trilha

Alinhado a esse pensamento, o diretor de marketing da empresa “O Melhor da Vida”, Jorge Nahas, também aponta o Google como a principal ferramenta de apoio aos negócios das PMEs no mundo virtual. A empresa atua no mercado de eventos corporativos, por meio do conceito de marketing de experiência, e, segundo o executivo, para manter as vendas constantes, é necessário investir em aplicativos como o Google Analytics e realizar campanhas publicitárias em canais como o Ad Words. “O Google é a entrada de tudo no mundo virtual, além de ser a internet para o negócio. Toda estratégia tem que começar com ele”, afirma.

Nahas não revela o investimento feito na criação de “O melhor da Vida”, mas informa que o faturamento cresceu 43%. “Graças ao conceito de e-commerce que está mudando no Brasil”. Já o ViajaNet recebeu aporte de R$ 4 milhões e apresenta um faturamento mensal de aproximadamente R$ 2 milhões, atendendo a cerca de cinco mil pessoas mensalmente, informa Todres.

Para os dois empresários, o crescimento expressivo do e-commerce se deve, principalmente, ao aumento da renda das classes C e D, que passaram a gastar com produtos aos quais antes não tinham acesso. “Há alguns anos era difícil essas duas classes viajarem de avião. Hoje, com a ajuda das promoções realizadas pelas companhias aéreas, o mercado de turismo está cada vez melhor e mais lucrativo internamente”, avalia Todres.

Davi VS. Golias

Uma das vantagens para conquistar os clientes das grandes redes varejistas, exemplificado pelos executivos, é que as pequenas e médias empresas têm como diferencial o tratamento e a forma de atendimento ao consumidor. Conforme aponta Nahas, os grandes players comercializam produtos de massa (commodities) e as de menor porte devem ofertar produtos específicos, vistos como pouco lucrativos pelas maiores.

Para o executivo de “O Melhor da Vida”, nas grandes corporações o fator preço é muito importante. Mas, segundo ele, a linha não é boa e muitos desses produtos “em sua grande maioria” são entregues com defeito. “Minha aposta é atender bem os clientes, se preocupando principalmente com o quesito da entrega”.

PREFERÊNCIA

As redes sociais se tornaram ótimas ferramentas de comércio. Segundo Alex Todres, do ViajaNet, antes de comprar pela internet, os consumidores já consultam os sites de relacionamento, o que faz destes ambientes ótimos veículos para a publicação de anúncios ou campanhas promocionais.

Em contrapartida, ele alerta para a dificuldade de comercializar determinados produtos, devido à confiança que o cliente possui em relação à marca das grandes redes varejistas, fortalecidas pelo tempo de existência no mercado. “Como eu vendo algo que o consumidor já conhece das empresas aéreas (as passagens), isso acaba me ajudando. Nos outros casos, a negociação é diferente, porque o empresário tem que convencer as pessoas sobre a qualidade do produto ou serviço e isso leva tempo e dinheiro”, pondera.

Tanto Jorge Nahas, de “O Melhor da Vida”, quanto Todres, esperam grandes mudanças para as PMEs no e-commerce. Para Nahas, o mercado é promissor e deve promover a fusão de algumas empresas. “A diferença está no atendimento”, comenta. “Os players menores terão chance, mas as grandes empresas se manterão em crescimento”, diz. “Lá fora, o comércio online representa de 20% a 25% do total de lucros no mercado de viagens. Aqui no Brasil estima-se que chegue a 5% até o final de 2010”, exemplifica.

Fonte: TI Inside

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